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From timelines to Paulista Avenue: how fandoms entered the election’s final stretch

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Da timeline para a Paulista: como fandoms entraram na reta final da eleição

Na tarde de domingo (11), a Avenida Paulista recebeu a Marcha pela Democracia, ato pela reeleição de Lula convocado por movimentos sociais e por comunidades de fãs de artistas pop. A concentração começou por volta das 11h, em frente ao Masp, e a manifestação lotou a via em São Paulo. A campanha estimou mais de 1 milhão de pessoas no percurso. A Polícia Militar não divulgou estimativa, e o Monitor do Debate Político da USP, que costuma calcular o público dos atos na Paulista, não fez a contagem por causa da restrição ao uso de drones na região. Do trio elétrico, Lula disse que poderia começar o discurso com o tradicional "companheiros e companheiras" mas acabou agradecendo aos "fandoms do Brasil".

A mobilização começou poucas horas depois do primeiro turno, no dia 4 de outubro mesmo. Perfis de fãs brasileiros de Taylor Swift, Beyoncé, Lady Gaga, Billie Eilish e Anitta colocaram suas redes sociais à disposição da campanha. No K-pop, entraram comunidades de fãs de BTS, Stray Kids, BLACKPINK e TWICE, entre outros grupos. Os fãs de Matuê chegaram a fechar temporariamente o perfil dedicado ao rapper para se concentrar na campanha. Na rua, a convocação também reuniu torcidas organizadas de Palmeiras e Corinthians, a Parada do Orgulho LGBTQIAP+ de São Paulo e movimentos estudantis, e o público foi formado majoritariamente por jovens.

O K-pop tem um papel próprio nessa história, e a comunidade não falou com uma voz só. O movimento Fandoms com Lula declarou apoio a uma candidatura. Já a campanha #ArmyFeatVotinho, da ARMY Help The Planet, voltada aos fãs do BTS, se apresenta como apartidária e foca em levar as pessoas às urnas. O alvo comum é o eleitor que ficou em casa: a abstenção no primeiro turno chegou a 21,08%, e o segundo turno acontece em 25 de outubro.

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Mas afinal, o que é um fandom? A palavra junta "fan", abreviação de "fanático" (do latim "fanaticus", ligado ao templo), com o sufixo "dom", de domínio, o mesmo de "kingdom". Na prática, o termo descreve uma comunidade organizada em torno de um artista, uma obra ou um gênero, e não apenas um grupo de pessoas que gostam da mesma coisa. Fandoms produzem conteúdo, traduzem entrevistas, organizam metas de streaming, arrecadam dinheiro para projetos e montam eventos. O comportamento dos fãs é estudado por acadêmicos desde o início dos anos 1990, quando o pesquisador americano Henry Jenkins publicou Textual Poachers (1992), e no Brasil a tradição vem de longe: os fã-clubes de Emilinha Borba e Marlene disputavam o auditório da Rádio Nacional já nos anos 1950.

A produção dos fãs é antiga e vai muito além de consumir. Os fanzines, publicações independentes feitas por fãs, surgiram nos anos 1930 entre leitores de ficção científica nos Estados Unidos e ganharam força nos anos 1960 com os fãs de Star Trek, que também ajudaram a popularizar as fanfics, histórias escritas a partir de personagens e universos já existentes. Hoje, esse acervo vive em plataformas como o Archive of Our Own (AO3), arquivo mantido por voluntários que reúne milhões de obras e recebeu o prêmio Hugo em 2019, um dos mais importantes da literatura de ficção científica.

No K-pop, a organização ganha escala de pequena empresa: fã-clubes montam guias de streaming e votação, traduzem lives e entrevistas em poucas horas, financiam anúncios em metrôs e telões no aniversário dos ídolos, organizam eventos em cafés e arrecadam dinheiro para doações em nome dos artistas. No Brasil, essa estrutura aparece em projetos de plateia nos shows, como cartazes e mosaicos combinados com antecedência, e em perfis de atualização que funcionam como pequenas redações. É essa experiência acumulada que os fandoms levam para campanhas fora do entretenimento.

Essa capacidade de organização já apareceu em outros momentos políticos. Na Coreia do Sul, os lightsticks de K-pop viraram imagem dos protestos contra a lei marcial decretada por Yoon Suk Yeol em dezembro de 2024, com manifestantes cantando 'Into the New World', do Girls' Generation. Nos Estados Unidos, em 2020, usuários do TikTok e fãs de K-pop reservaram ingressos em massa para um comício de Donald Trump em Tulsa sem intenção de comparecer, e o fandom do BTS arrecadou mais de US$ 1 milhão para o movimento Black Lives Matter. No Brasil, a morte de Ana Clara Benevides em um show de Taylor Swift no Rio, em novembro de 2023, deu início a uma campanha do perfil Update Swift Brasil por água gratuita em eventos. A Lei Ana Benevides foi sancionada em setembro deste ano, e representantes de fandoms foram convidados ao Palácio do Planalto para a cerimônia.

O ativismo de fãs já tinha aparecido na eleição de 2022. Em 2026, o que mudou foi a escala e a exposição pública dessa articulação. No domingo, quem passou pela Paulista viu, fora das telas, uma forma de organização que os fãs praticam há décadas.

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Depois de tanta entrevista em coreano e em inglês, sentar para conversar em português com duas artistas nipo-brasileiras já tinha gosto de presente. E a conversa com Lina Tag e Fernanda Takai sobre 'Palha de Vento' foi isso do começo ao fim: uma cantora em início de carreira e outra com 34 anos de estrada falando da mesma canção, cada uma do seu lugar.

'Palha de Vento' é a faixa que abre 'Borrões', disco que Lina compôs ao longo de seis anos com Romulo Fernandes, e fala sobre sair da casa dos pais. A escolha de colocá-la na porta de entrada foi deliberada. "O 'Borrões' tem músicas um pouco mais densas, que vão para lugares mais obscuros. A gente escolheu começar de boa, abrir uma conversa gostosa", conta Lina. "Como o disco fala de várias épocas da minha vida, fazia sentido começar por hoje, sobre os meus próprios pés."

Curiosamente, a música que abre o álbum foi a última a chegar. Lina e Romulo aprenderam a compor online durante a pandemia e juntaram um banco de uns 600 áudios, com arquivos batizados de 'fragmento 69', 'fragmento 64' e por aí vai. O disco estava fechado quando, um mês antes da gravação, Romulo ligou dizendo que tinha tido "um delírio, um sonho" e composto um arranjo inteiro no violão, sozinho, coisa que nunca acontecia entre os dois. "Eu tinha feito uma retrospectiva da minha vida inteira, só que eu não tinha falado do agora", lembra Lina, que escreveu a letra e os arranjos vocais em cima desse presente. "Foi assim que surgiu, aos 45 do segundo tempo."

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O convite para Fernanda é bem mais antigo do que a faixa. Lina procurou a cantora há sete ou oito anos, mas na época Fernanda já tinha topado colaborar com outro artista dentro do mesmo projeto, e as regras não permitiam participar de dois. "Não é um não, é que não dá para fazer agora. Com certeza, no futuro, a gente vai fazer algo com a nossa cara", disse Fernanda na ocasião. As duas seguiram se esbarrando em lançamentos de outras artistas nipo-brasileiras até o momento certo aparecer. "Em alguns momentos, eu ficava muito angustiada para que as coisas acontecessem no meu tempo. Mas o tempo é o senhor", diz Fernanda, olhando para a parceira mais nova. "A gente tem que permanecer vivo, com as ideias fluindo, porque os nossos rios vão se encontrar."

E mesmo quando o momento chegou, a primeira música enviada não foi a escolhida. Fernanda achou que a canção era pessoal demais para ser dividida e pediu outra. Aí veio 'Palha de Vento'. "Eu pensei: acho que posso contribuir muito com essa canção, com o meu jeito de cantar junto com o seu. As nossas vozes iam se cruzar", explica Fernanda, que define o resultado como leve e profundo ao mesmo tempo, "um momento importante que vem com asas, com o vento, com novas luzes".

A gravação foi à distância. Lina mandou uma ideia de arranjo e deu carta branca ("Você é a Fernanda Takai, eu faço o que você quiser"), e Fernanda gravou no estúdio dela, em Belo Horizonte, com John Ulhoa, parceiro de vida e de Pato Fu, abrindo vocalizes e vozes na parte da letra em que se sentia mais à vontade. Com mais de três décadas de carreira, ela admite que ficou na torcida esperando a resposta. "Não importa o tempo de carreira. A validação da outra pessoa é sempre muito importante", diz. Do outro lado, Lina ouviu, chorou e ligou para o Romulo. A frase dela para resumir o processo merece moldura: "Eu escrevi a canção pelada e ela veio lindamente vestida."

'Borrões' é um disco pensado também para a cena e para a tela, e por isso a direção ficou com a artista de butoh Luciana Elias. As duas se conheceram dançando de olhos fechados, sem trocar uma palavra. "Foi uma coisa muito mágica, espiritual. A gente dançou junta e nunca mais se desconectou", conta Lina. "Ela não entende muito de música, de arranjo, mas a gente divide uma mesma inquietação com o mundo." O clipe de 'Palha de Vento', segundo ela, trata da presença e do encontro intergeracional entre duas artistas em momentos diferentes da carreira, "uma no início dessa angústia, buscando essa paz de espírito, e outra mais estabelecida, que já viveu tudo isso". Fernanda, que com o Pato Fu fez parte de uma das bandas brasileiras que mais apostaram em clipes, comemorou a ideia. O figurino, com peças exclusivas da estilista Marcella Maiumi, também puxa o encontro pela ascendência japonesa das duas.

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Da timeline para a Paulista: como fandoms entraram na reta final da eleição
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